BCCCAP00000000000000000000822
UMA CASA DE CAPUCHINHOS ITALIANOS EM LISBOA 26t deixaram estes Capuchinhos; o Rei, com as lágrimas nos olhos, pro-– meteu atende-lo e no dia 29 mandou avisá-lo de que a sua pretensa.o tinha sido finalmente despachada, devendo dentro de pouco seguir para Angola. O Religioso, nesse mesmo dia, comunicou alvoroc;ada– mente esta nova ao Secretário da Propaganda Fide 44 • Para esta decisao de Dom Joao IV muito contribuiu a sua vene– rac;ao por estes Capuchinhos, o grande interesse que por eles tomou a Rainha Dona Luísa de Gusmao, a recomendac;ao do Rei da Franc;a e os bons ofícios dos amigos destes Religiosos. Pode-se ajuntar que talvez o Rei pensasse que os Holandeses iam ser expulsos de Angola pelo socorro, que do Brasil para lá enviara, e sem dúvida julgava conveniente que a influencia dos Capuchinhos espanóis no Congo fosse contrabalanc;ada por outros Religiosos da mesma Ordem, também enviados pela Santa Sé e fiéis aos interesses de Portugal. Fr. Pedro de Dulcedo, no relato que escreveu das suas andanc;as,. indica outra raza.o, a saber, a morte do Marques de Ferreira e do Secretário António Pais Viegas, que eram os principais opositores dos Capuchinhos, além de Fr. Cristóvao de Lisboa 45 • De facto, Dom Fran– cisco de Melo faleceu em 17 de Marc;o de 1645, como se le no seu epítáfio, na Igreja dos Lóios, em Evora, e o Secretário Pais Viegas morreu no mesmo ano 16 , estas mortes, porém, nao devem ter tido– grande influencia para se atender a pretensa.o dos Capuchinhos. A viagem destes Religiosos seria pela Baía e, por isso, Dom Joao• IV assinou em 9 de Maio as cartas, que os recomendavam caloro– samente aos Governadores do Brasil e de Angola 47 e, posteriormente, deu-lhes também urna carta para o Rei do Congo 18 • Dias depois os. quatro Capuchinhos foram recebidos em pública audiencia pelo Rei, que novamente se comoveu até as lágrimas e os afianc;ou de que nin– guém o faria voltar atrás na resoluc;ao de os deixar seguir para Angola. Mandou-lhes depois dizer pelo Secretário Vieira da Silva que se ser– vissem da ermida de Santo Amaro, para hospedar os futuros missio- 11 Esta carta, conservada no Arq. da Propaganda, SRCG 143, f.222r, foi publicada em, MMA 9, 242-243. 1r. Arq. da Propaganda Fide, SRCG 247, f.13lv. 46 Asim o diz Joao SoARES DE Bnrro, Theatrum Lusitaniae litterarium, no ms. 299A da Aca-– dcmia das Ciencias, em Lisboa, p.151. Diogo Barbosa Machado (Bibliotheca Lusitana I,. Lisboa 1741, 343) escreveu, contudo, que António Pais Viegas morreu em 1650, o que tem sido geralmente seguido. Nao há clúvida, porém, que faleceu muito antes, pois Paulo– Barradas da Silva, escrevendo da Guiné em 14 ele Setembro ele 1646, refere-se ao Secretário• Pais Viegas, que Deos tem (Arq. Histórico Ultramarino, Papéis avulsos, Guiné, 14 de Se– tembro de 1646). 47 Estas cartas, em cópia, estao no Arq. da Propaganda, SRCG 143, f.226r e 227r e foram. publicadas em MMA 9, 244-245. 48 Assim se diz na carta de 16 de Junho de 1645, que vamos citar na nota 53.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDA3MTIz